sábado, 26 de junho de 2010

Lugar de coisas

Decorei um oratório
com ladainhas em versos,
cores de Munch, Portinari.
O altar, puro e simples
banco de praça.
Praça de calçadão beira-mar,
Praça de igreja de cafundó.

Flores, muitas!
Deste cerrado tortuoso,
da planície alagável,
Singelas, sinceras
- Recebidas ásperas.

Canções
Entoadas em ritmo ancestral
Histórico, nostálgico,
Sem sons, por memórias
Repertório acadêmico-juvenil
- Às vezes rechaçado.

Troquei seu merecido lugar à prateleira
Pelo assento sagrado,
Tamanha minha satisfação,
meu deslumbramento.
Quiçá por isto o monstro
Superou o médico.


Foto by inatangle