terça-feira, 27 de dezembro de 2011

(E)terno

(E)terno o momento

Em que a mão

Suavemente

Desliza sobre a pele em pelo

Desenhando a linha

Entre o desejo

E o restante do mundo

(E)terno o momento

Do sol nascente

Da luz filtrada pelas cortinas

Da brisa suave da manhã

De seu perfume

Magnético exalando



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pó da estrada

Sacudi as sandálias

Deixei o pó cair

Não olho para trás

Sinto o calor dos males

Passados nas costas.



Quando me sentei no muro

Pude observar o horizonte

Mais distante,

Olhei para o lado

... E me vi só.



Todas as escoriações não me doíam

Sequer encarava com maus presságios

O caminho tortuoso e árido

Que porventura me surgisse

Por detrás do muro.



Perdi a conta de quantos

Ficaram ao pé do muro,

Incapazes de escalar

Sem desejo daquele horizonte novo

Que a cada dia se mostrava.


28.09.09 Pepper!

Foto by Helen Weir

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Álbum






As pessoas amam

Possivelmente amam:

Se casam

Teem filhos

Não teem passado

- Bom ou ruim.

Sua vida evolui

Por estágios planejados

Cronometricamente

Ou descobertos

Por brilhos nos olhos...



Em minha mente,

Passaram-se alguns meses

Insuficientes

Para uma gravidez

Para se amar.

Mas as pessoas parecem

Amar.

É o que se traduz

De suas photographias.


domingo, 25 de setembro de 2011

Comigo... migo... migo...

Por que
as palavras
são ásperas,
as pessoas
são más
Vejo esse facho de luz
E os raios não me atingem?

Esta cela
de paredes
sempre frias e úmidas
Esse congelamento dos membros
que me impede ficar de pé?

Aqueles versos lindos
que penetram nos olhos
rasgam o coração
e embaralham o cérebro?

Ser abominável este,
que tem grilhões aos pés
desconhece a própria face
e dilui todas as possibilidades
à fresta!

Foto by tfowler_1997

domingo, 24 de julho de 2011

Tramadofio



Despida das coisas civilizantes

Busco o fio que tece pessoas

Tênue, transparente, frágil...

Por isso são esferas, as pessoas.

Dentro e fora

Nos tangenciamos,

Somos invólucro

Ou recheio

Trama de múltiplos fios,

Não há nos dicionários

Descrição das entrelinhas

De adornos ou remendos.

Misantropa ou extraterrena

Observo

De onde avisto, não toco

Não lhes entendo

Mas sou resumida

Mil espelhos que refletem

As sombras de quem vê.




... Perfect love is like a blossom

Fade so quick...

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Ciranda

Hoje estou daquele jeito.
Daquele jeito que você sabe:
Sem lado,
Sem espaço,
Sem máscara.

Daquele jeito sem jeito.
Estou, mas não fico.
Digo, mas não concluo.
Reflito pausadamente
E não escolho palavras,
Mas elas vão fazendo sua ciranda
E se encaixando, vez ou outra.

Ás vezes é necessário criar
Pontes entre as palavras
Porque a ciranda não é de roda,
Não é um ciclo


E não se fecha.
A ciranda é quase um minueto
- Sem pares.

Meus lados que não se encontram
Usam dessas palavras num discurso mudo.
Antes de proferidas, já teem coreografia.
Sim, não sou capaz de acompanhá-las.

Por isso ligações, apostos, vocativos...
Ao final, a coreografia se encerra.
Cheia de vírgulas, hífens.
Eu é que não sei colocá-las nas páginas.







Foto by Van Robin







quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cerrado II

Campos de pedras
curiosidade botânica
olhos de lince
capturo cores
de seus quadros prediletos.




Vislumbro em frutos exóticos
o alimento e o veneno
a dosagem me leva
ao laboratório.




O ambiente traz
todos os sinais
todos seus objetos.




Não há um único segundo
em que o universo,
nesse desvario olístico,
faça ausentar
seu saber
suas palavras
suas imagens.





domingo, 30 de janeiro de 2011

Amigo menino

Menino da cidade de pedra
Alma de criança
Que também tem.
Menino-homem-assustado
Detrás das cortinas,
Alegre, simpático.

Em seu cenário,
Lindos olhos,
Mãos pequenas
A pedir colo.

Homem precoce
Que se embala em sonhos
E os transforma
Em realidade crua:
Muita sede em fonte seca.

Música, marionete,
Matemática:
Sistema indeterminado
Variáveis emotivas
Pai, filho, espírito saltimbanco.

Foto by Smelik en


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Cancelamento!

Despertou meus pensamentos
A presunção de quem
Acredita que é preciso
Conhecer
Para que algo exista.

Desde minha casa idílica
Até a fé que move montanhas
Não é necessário conhecer!

Deixe meu pedido,
A santinha
Não conhecerá meu castelo:
Seria enviada ao limbo?

Desfeito também o convite:
Se não crê, não vê
E não lhe concedo a honra.
Subi a ponte levadiça, fechei
Os portões
- Nem santa, nem santeira!

Foto by Ellen