sexta-feira, 31 de julho de 2009

Padme

Padme, és bela?
Não sei
Não me dirás
Nasces do lodo, do lixo
Do detestável
Que repudio desde sempre

Padme, tens perfumes?
Quando minhas mãos tocarem a pele,
Será macia, quente, extasiante?

Padme, tens poemas?
Os gemidos, sorrisos ou sussurros
Serão condizentes com toda
Rudeza propagada em
Mil expressões vulgares?

Padme, nascerás e habitarás?
És possível entre as fendas de pedras?
Enraizar-te-ás delicadamente
Oxigenando e umedecendo
Os meios?



Padme, existes?













Foto by Rodolfo Fracalossi Paes

domingo, 19 de julho de 2009

Nascer de si

Se se começa nascendo do fundo
Profundo escuro

... Sair parece camuflar
Pois o fundo profundo escuro
É ofuscado


...Como o campo energético luminoso
Refratário refletivo
Cuja fonte é no centro

Dentro
Magmático.






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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Palavras vãs

Apaixonar-se por palavras
É paixão mais vã
Enquanto deliramos
Somos colocados no divã

Nossas confissões são escandidas
Em mil versos não ritmados
Seguros e fiéis sonetos
Partidos em estrofes oníricas

Nossas odes impulsivas
Rotuladas em acadêmicas
Escolas psico-literárias
em fases de sim, talvez e não.

Embelezam o fundo
Palavras traiçoeiras
Que enganam o leitor
- Não menos que o criador
.













Foto by Daniboy

domingo, 5 de julho de 2009

As poucas coisas detestáveis...

As poucas coisas detestáveis

Enfileiram-se atrás de ti

Fazem de tua sombra escudo

Fazem de teus lapsos frestas

Para observar

Para manifestar...

Foto by Wagner Campelo

Sarau

Como se declamássemos
De nós
Entre nós
Nos mostramos
Às vezes sós
Às vezes pós

A platéia muda
Ou em aplausos
Não absolutamente convencida
Não mudamente reprovando.

Em tudo há pelo menos
Uma guanina
Uma citosina
Em sequência correta
Em concordância com
Nossos passos
Nossos passados.

Valham-nos todos
Valham-nos partes
Pois os poemas são vividos
Pois nos traduzem.