quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Circunstâncias



Mergulhei-me em preto


Mas não é luto

 
Apenas mimetismo.


Foto by Cecília Paredes

sábado, 28 de julho de 2012

Fatigant


Onde encontro os olhos?
A espreitar as ondas
E seu infinito caminho
Subtraídos do mundo, espectador?


Âmago intocado
Carcaça fria
Vãos, vãos?
... João-de-barro encerrou a porta
Deixou-se dentro.


Vagar nos pensamentos
Buscar portas para entrar
Janelas para ver
E ser vista
Tarefa interminável de marés
... Somente marés.



Boleros de Nana... ótimos momentos!

sábado, 9 de junho de 2012

Silêncio

As palavras se afogaram.
Todas  elas.
Junto delas
Uma música
Flor
Cintilâncias
Diurnas
Noturnas
Um deus
Uma besta.

Mar tragante
Obscuro fundo
De lama, apodrecidos
Palavras foram ao fundo
Antes, da alma
Agora, entre restos.




domingo, 13 de maio de 2012

Horas e sementes

Viajei a lugares desconhecidos

Mentes, cidades

Pernoitei assentada

Em sonhos irrealizáveis

Em aeroportos, rodoviárias


Com peneira de fina malha

Aparto o que cai

Grãos que me cabem

E sementes errantes


Esse rio

Superficialmente sereno

Profundamente turbulento

Não constava nos sonhos

Moldou-se

Às minhas vistas

Pela goiva, formão

Palavras, desejos.



domingo, 15 de abril de 2012

...não são meus...

Não me faça versos
Eles não são meus
Nem seus:
Posta a palavra,
Torna-se maior
Que quem a escreve
Veste mil almas
Além da minha.

Não me faça versos
Não me serve a fantasia
- Talvez colombina, sem pierrot.
... E versos como esses,
Só podem falar de amor.

Não me faça versos,
Chamariz de tristes passados.
Alados, extremos ou banais:
Encantam-me os atos.

domingo, 1 de abril de 2012

Palavras, palavras...

Quero escrever
o poema maduro!

Daqueles...
Quaisquer ruas,
Desconhecidos,
Amores fictícios,
Política engajada,
Descrição de paisagens
Nunca vistas.

Maduro: sem brotos
de minhas entranhas.

Sair de mim
O que entra pelos olhos
Entra pelos ouvidos
O que o cérebro confabula
Desviando-se do coração.




sábado, 24 de março de 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Monocromia

Sangra

De córrego

A rio revolto

Em leito rochoso

Sereno

Nas grandes quedas

Mancha em delta

O mar é grande

Sangra pelo córrego

Que já é rio


Sangra

De lágrima

A coletor sanitário

O efluente não salga

De todas as nascentes

Lavadas nas pias

Nos chuveiros

Nenhum rio

Sangra

Por prantos.


Foto by John_fobes