domingo, 11 de outubro de 2015

Amaríssimo

Tempo
Distância
Colibris se tornam rolinhas
Janelas são celas
Pintura abstrata
Borrão indescritível.


          Quem lhe disse
          Que tudo isso

          Não seria visto
          Olho a olho
          Odores se misturando?

Nada extraordinário
Nessa vida passível
De ser vivida
Somente na corda-bamba
De renúncias e concessões.




 

sábado, 6 de junho de 2015

Tela

O tapete verde se estende
do asfalto às bainhas das matas.
Esparsos, coqueiros
sem brilho
Onde pontos brancos pastam.

Rasgando chão vermelho,
rastros de homens, muares.
Na encosta desnuda
ninhos de térmitas redesenham o relevo.

Vez ou outra,
Encravam-se no mato
casebres inacabados
currais improvisados
os casarões com cenário próprio
recepção de ipês,
mulungus centenários.

Nos cortes, samambaias
orquídeas endêmicas
cristais entre silte.

Colinas a perder de vista
de eucaliptos.
Os animais já nos abandonaram
somente prateadas imbaúbas
tardias acácias
Desafiam o verde.