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Padme

Padme, és bela?
Não sei
Não me dirás
Nasces do lodo, do lixo
Do detestável
Que repudio desde sempre

Padme, tens perfumes?
Quando minhas mãos tocarem a pele,
Será macia, quente, extasiante?

Padme, tens poemas?
Os gemidos, sorrisos ou sussurros
Serão condizentes com toda
Rudeza propagada em
Mil expressões vulgares?

Padme, nascerás e habitarás?
És possível entre as fendas de pedras?
Enraizar-te-ás delicadamente
Oxigenando e umedecendo
Os meios?



Padme, existes?













Foto by Rodolfo Fracalossi Paes

Palavras vãs

Apaixonar-se por palavras
É paixão mais vã
Enquanto deliramos
Somos colocados no divã

Nossas confissões são escandidas
Em mil versos não ritmados
Seguros e fiéis sonetos
Partidos em estrofes oníricas

Nossas odes impulsivas
Rotuladas em acadêmicas
Escolas psico-literárias
em fases de sim, talvez e não.

Embelezam o fundo
Palavras traiçoeiras
Que enganam o leitor
- Não menos que o criador
.













Foto by Daniboy

Equilíbrio

A sinceridade apressa os passos
primeiro para si,
depois, de si.

O amor encanta
à distância para si
de perto, de si.

Palavras ditas e não ditas
trazem e levam passos.

O mistério traz,
o descortinamento leva.

Cada gesto delicado
atrai ontem
repele amanhã.


Façamos o avesso:

Sem sinceridade, amor, palavras, mistérios, luzes, gestos delicados.
E voltemos ao equilíbrio humano.

Sejamos miscelânea insossa.
Ela aproxima os passos para si.