terça-feira, 31 de março de 2009

Meios

Não quero o álcool
Não quero o veneno
Os dois embriagam
e nos escravizam

Não quero a metade
Não quero o quase
Na Gaussiana,
prefiro os cinco-por-cento

O extremo desprezado
Mas extremo.

O médio, o mediano
Deixo à maioria.


domingo, 22 de março de 2009

Sem nome, sem tamanho

Já me disseram

e a vida me mostra

que a felicidade se ajusta

ao espaço exíguo

e ao curtíssimo tempo

mas as decepções

não se limitam

ao intervalo de tempo

ou ao espaço.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Desconfortável

Havia a mesa, as cadeiras.
E alguém quis sentar-se
E a mesa para um é simplória
E a mesa para dois é forçosa
E a mesa para mais não interessa

E toda a garrafa,
Para um é muito
Para dois talvez
Para mais, uma celebração.

E a palavra,
Para um é loucura
Para dois, desnecessária.
Para mais, exigência.

Mas a porta de saída é próxima
E o teclado mais ainda
E o off não carece de raciocínio
E não existe pesar virtual.
Ele só existe para o que é real.

E a mesa fica para um.
...Ou vazia.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Mas onde está Peter Pan???

“Meu” Peter Pan viajou todo o mundo, mas preferiu um cantinho de São Paulo para ter sua “Terra do Nunca”

Ele pode voar (o que faz com muita facilidade...) mas adora ter os pés no chão e sonhar comigo.

É capaz de criar um cenário maravilhoso e curmprir todos os rituais sem pesar, pois sabe que isso me faz feliz, me faz guardar o bilhetinho do buquê e o papel do bombom;

Ele fala muitas línguas, não obstante, nos entendemos em qualquer delas.

Aliás... ele entende até meu silêncio, e é capaz de, quando estou triste, ouvi-lo durante um abraço infinito até que o sol nasça;

Hoje, se quero colo, ele só tem duas ações: ordena Venha imediatamente para cá! ou pergunta A que horas seu vôo chega?

Ele conhece cada detalhe de minha mente, do meu corpo e do meu coração.Liga do bar, de sua mesa cheia de amigos e amigas, a qualquer hora, para dizer que está feliz: ouviu um punk rock britânico qualquer da década de 70/80 e lembrou-se de mim;

Apesar de viver num meio de celebridades, status e muito dinheiro, nunca se esquece daquele dia, em que eu o dirigi para a prova de improvisação do teatro...

Ele apresentou A Puta, de Drummond... ensaiado ao som de Party Girl...

Conhece muitas músicas, de seus tempos de vocalista e de seu grande conhecimento: dedica a cada um a sua música, não as repete a ninguém.

Como não posta os mesmos versos elogiosos a várias pessoas...

Quando resolvi mostrar a alguém meus poemas, enviei a um “poeta” e a “meu” Peter Pan: o “poeta” me respondeu “lindo”.

“Meu” Peter Pan enviou-me um e-mail com análises, críticas e sensações que fizeram enrubescer as morenas bochechas e, adicionalmente, a trilha sonora,

Conquistando seus dois desejos: publicar e musicar meus versos...

Conquistou, jamais me pediu qualquer coisa.

Ele conhece todo o meu mal e todo o meu bem, e os adora num alto de montanha, admirando um pôr-do-sol...

Pimentas para ele são tempero ou decoração, nada o amedronta.

Nos perdemos em discussões infinitas, sem jamais deixar de gostar, de respeitar...

Queria ter visitado o Louvre com ele, pois ambos amamos.

Quando dança qualquer ritmo comigo é um sonho, mas prefere me ver dançar e cintilar!

Seus recados nunca são apagados: todos que lá postam, ainda que não se conheçam, sabem o lugar que ocupam em seu coração e o peso de cada eu te amo que diz;

...Tamanha é sua transparência e sua dignidade....

E imaginar que eu me esqueci disso por um tempo, e quase caí!!!!

Mas “meu” Peter Pan me deu a mão, ele está sempre comigo.

domingo, 1 de março de 2009


Para iniciar...



Na sede de me encontrar, mergulhei em versos.
Quase amei, quase fui amada,
Acho que quase me encontrei.
Encontrei uma estagnação,
Que sobra quando até a tristeza já se foi.
Encontrei a neblina no escuro,
Que não se dissipa, mas anestesia,
Que não motiva, mas não amedronta.
Apenas preciso dar o próximo passo
E o outro
E o outro
E o outro...