sábado, 28 de agosto de 2010

Arco-íris a um amigo

Para meu amigo das montanhas
Busco as palavras coloridas:
Meu cinza, preterido, esconde-se
Atrás da porta por onde
Entra o arco-íris.

Não sei onde aplicar as cores:
Fito o pote de ouro
Imagino o escorregador
Sem amortecimento.
Lembro-me do banho de Mazzaropi
E concluo que o Leprechaun tem
Almofadas na bunda.
... Mas Mazzaropi tinha variações de cinza:
Preto e branco...

Não sei onde aplicar as cores:
Se se atravessa sob o arco,
Se troca de sexo.
Se lhe busco a origem,
Encontro a cachoeira,
Gotas em suspiro.
... Somente quem troca de sexo sente
A brisa colorida no rosto?

Meu amigo das montanhas
Tem muitas cores:
Nas peles – sua e dela
Nas encostas de pedras
No mar verde-azul
No céu branco-azul
E até em sua nova vida
Cor de rosa e de lua em mel.
Sorri de Mazzaropi e nunca
Contou-me do Leprechaun.





Foto by Brooklyngarden

domingo, 8 de agosto de 2010

... Ser poema

Tem razão em não amar.
Como podem as palavras
Se converter no ser?
A poesia
Digerida,
Absorvida,
Torna-se caloria da alma.
Materializa-se
Em lágrimas,
Risos,
Introspecção,
Surpresa...

... Que ser abarca tudo?
Inimaginável
Assustador
Aliciador
E real,
Real demais
Para ser crido poema.
... Quando se busca o poema,
Nunca alcançar a realidade.