domingo, 11 de outubro de 2015

Amaríssimo

Tempo
Distância
Colibris se tornam rolinhas
Janelas são celas
Pintura abstrata
Borrão indescritível.


          Quem lhe disse
          Que tudo isso

          Não seria visto
          Olho a olho
          Odores se misturando?

Nada extraordinário
Nessa vida passível
De ser vivida
Somente na corda-bamba
De renúncias e concessões.




 

sábado, 6 de junho de 2015

Tela

O tapete verde se estende
do asfalto às bainhas das matas.
Esparsos, coqueiros
sem brilho
Onde pontos brancos pastam.

Rasgando chão vermelho,
rastros de homens, muares.
Na encosta desnuda
ninhos de térmitas redesenham o relevo.

Vez ou outra,
Encravam-se no mato
casebres inacabados
currais improvisados
os casarões com cenário próprio
recepção de ipês,
mulungus centenários.

Nos cortes, samambaias
orquídeas endêmicas
cristais entre silte.

Colinas a perder de vista
de eucaliptos.
Os animais já nos abandonaram
somente prateadas imbaúbas
tardias acácias
Desafiam o verde.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Passo a passo

A utopia caminha
Nas costas da serviçal
Movimenta-se pelo corpo
E some na multidão
E some nas vidraças.

A plenitude
Acompanha as respostas
Das perguntas
Que já esqueci.

domingo, 21 de setembro de 2014

19:44 - Caetés


A alma estava molhada
ainda que as ondas
não chegassem aos pés.
Com quantos moinhos lutei,
protegendo o indefensável?

Ah, centopéia...
Ah, polidáctila...
Só lhe cortarão as asas!

Tome o chá sem oras,
Deixe que o vento leve a estola.
Verá que ela é quem era!

Apoiava-se sobre o crânio ressequido
de vida, de paixão e de humanidade.

Da forma de corpo
Sombras de hipóteses
Teorias do medo
Solta-se a pele
da víbora nascida.

Peçonha tem formas várias,
até de palavras.
O veneno é que se define pela dose.
Embriago-me de sobriedade.

domingo, 14 de setembro de 2014



Então é este seu esconderijo?
É por estas frágeis palavras
e heroicos poemas
que se esconde o pré-homem?

Sem asas ou saltos livres
é por este precipício
que se joga a cada noite
com luzes e drogas artificiais?

Deste orifício
sem lentes
é que escande
as almas desconhecidas?

Nesta mesa
sem cores
é que cria
a suavidade da pele
que jamais tocou?

Sobre estes lençóis
de austeridade e soberba
é que se coloca
entre mendigos
de ruas boêmias?

É por este fiapo de luz
que vislumbra
seu inquestionável mundo
de criaturas repugnáveis?


terça-feira, 8 de julho de 2014

Apaixonado (Desesperado)

Se seus olhos
mirassem
outros olhos
e sua alma
daquela outra
se apartasse
lindo parto
de partituras
afins
sonetos
claros
precisos
necessários.

domingo, 6 de julho de 2014

Hiato



Dentro de mim

colho as pétalas douradas

a macela 

que embranquece

o barranco

as notas musicais 

que só eu ouço.