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Sonho II

Acreditava-me besouro
Ser de dura carapaça e insistência
Sem sentir choques
Sem conseguir grandes vôos.

Hoje me sei borboleta
Leve, frágil,
De brilhos e algo bela,
Vida inquieta e efêmera.

Delicada me sabes
Frágil e ágil
Com cores
Pudores e ousadia
Mas não me vês possível:
Contas o numero de montes
e flores entre nós :
Achas intransponíveis.

Vês minha beleza fugaz
E a supões superior
Ao prazer de fato.
Ainda que, de fato,
só acredites no prazer.
Subestimas o alcance de meu vôo
Acreditando que vou ao longe, não em profundidade

Enquanto isso,
Sonho quebrar as redomas em que vivemos.

Foto: Bárbara Hasse

Sonho I


Agora me resta a dúvida:
Tudo se resume à bolha
de sabão que,
tocada, estoura?
Esse cristal que nos separa,
separa também realidades
e faz seres diferentes de nós
se encontrarem?

Esta espera e este desejo
terão sido em vão?
Serão eles menores,
quando extinguirmos a distância?

Vago etérea em sua mente.
Vagas pesado e concreto na minha.

Imaginas mil sonhos meus
exceto o único verdadeiro:
Aquele em que te encontras
de olhar dócil e toque sensível
Amparando-me as patas leves
deixando libertas minhas asas.

À sua casa

Minhas memórias abrigam
o esgalhado caminho
para se chegar à sua casa.


Galhos secos, troncos
debruçados sobre a água.


Não vou só.
Equilibrando-se no caminho
de sombras
vem meu amigo:


Seus olhos luzem
Seus passos são certeiros
O corpo alvo e delineado
suaviza o olhar crítico
e a personalidade franca.


Caminho por entre os galhos.
Dirijo-me ao tronco
que é a entrada
mas não a vejo.



Caminho e chego ao quarto.
Suntuoso, quinquilharias,
tapete estampado
do século passado.


É grande tudo,
mas cabem no tronco sem porta.


O corredor de quartos
É vazio, escuro.
Suntuoso, quinquilharias.


O quarto está reservado
e nos espera.


A sala é grande
Moderna
Desabitada.


O quarto nos serve
ao amor
A sala sozinha
recebe sua dona:
Sorriso dona de casa
Anfitriã convenientemente satisfeita.


Saio para o mesmo galho
Do mesmo tronco
Sem porta
Sem escala para o
Tronco diminuto
Com a casa dentro


Fora é tão sombrio
Frio
Quanto dentro


Os braços brancos
Delineados
Fortes
Amparam



Tudo é silêncio, cumplicidade,
Sombrio
E necessita de equilíbrio
nos galhos.
Sem explicação para as dimensões.