domingo, 27 de setembro de 2009

Diário II

De caos e reminiscências
Fez-se o dia
De páginas escritas, relidas
Revividas, rotas, mofadas
Desgastadas, decoradas,
Se fez a semana
Meses

Acaso não descobriste ainda
Que há páginas por escrever?
Não tenhas obrigação enfadonha
Não dispenses atenção única...
Apenas vê, na brancura vazia,

O que chama a viver
O convite de novos ventos,
Não sou eu – és tu!
Essa brisa sem perfumes
Não sai de mim!
Respira, renasça e vê:
Um convite branco e vazio
Espera por ti!



Foto by Dionísio Dias

domingo, 20 de setembro de 2009

Diário

Hoje podei rosas
Reli manifestos, coletei gotas de carinho.

As rosas, algumas na roseira,
Outras no vaso – reviverão
Momentos de seu tempo-raiz
E poderão aos botões desabrochar
- Como no tempo-raiz.

Manifestos jamais serão serenos.
São gritos – hoje mudos,
Hoje desmedidamente insanos,
Por não se saber mais raiz.

Carinhos em chuvas, garoa,
São melhores!
Colho gotas, orvalhos...
Talvez acumule pequeno frasco
- Daqueles que se põe uma gota
Na taça dos delírios...

... Mas essas gotas irão
- E virão
Em palavras, imagens,
Objetos imantados à porta gélida
- E farão uma coleção de carinhos
Do mundo inteiro!

Terei versos no vaso,
No papel,
No frasco,
Na porta,
Nos olhos...
... Um dia nas mãos!









domingo, 13 de setembro de 2009

Carta de garrafa

Caro e legítimo poeta:
Longe da rotina tecnoburocrata,
Minha vida continua:
Espirais kardecistas.

Ávido e ácido crítico:
De minha colheita,
Já os frutos são diminutos,
Deformados, deturpados...
Entressafra poética.

Sincero e honesto amigo:
Eis que me valho de versos
Seus - em pensamento -
Para assegurar-me
Da inconstância,
Da insuficiência humana.

Desconhecidos olhos
Aos quais dirijo
Voláteis pensamentos:
A tela é fria,
O papel subserviente.
... Mas os humanos
Têm mais que termômetros e joelhos.

Foto by ArteZoe