sábado, 26 de junho de 2010

Lugar de coisas

Decorei um oratório
com ladainhas em versos,
cores de Munch, Portinari.
O altar, puro e simples
banco de praça.
Praça de calçadão beira-mar,
Praça de igreja de cafundó.

Flores, muitas!
Deste cerrado tortuoso,
da planície alagável,
Singelas, sinceras
- Recebidas ásperas.

Canções
Entoadas em ritmo ancestral
Histórico, nostálgico,
Sem sons, por memórias
Repertório acadêmico-juvenil
- Às vezes rechaçado.

Troquei seu merecido lugar à prateleira
Pelo assento sagrado,
Tamanha minha satisfação,
meu deslumbramento.
Quiçá por isto o monstro
Superou o médico.


Foto by inatangle

6 comentários:

  1. ... Lindo é ter a visita do Curimã aqui!!!


    ;)


    Obrigada!!!

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  2. Obrigada, Marilena!
    Espero que volte sempre!
    ;)

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  3. Ahhh se você soubesse como é bom estar navegando na internet às 11h de uma terça feira e poder apreciar a maestria com a qual contruiste este poema! Parabéns Gi. A partir de hoje serei sua seguirodra e quero mais, sempre mais.
    Também tenho um espacinho repleto de contos, poesias, constelações e laços azuis.
    E se de alguma forma minhas palavras conseguirem te tocar, lá onde onde moram os céus que o corpo não alcança, ficarei horanda de tê-la como minha seguidora.
    Um grande abraço,
    Bruna.

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  4. Obrigada, Bruna!

    É sempre bom ter o comentário de pessoas que buscam "os céus que o corpo não alcança"! ;)

    Já fiz uma visitinha a seu espaço e sou sua seguidora também!!
    ... A maestria está presente na construção de seus textos, na sensibilidade com que os elabora!

    Abraços!

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