Rendas, restos



A rendeira brinca
com fios, filhos
Sua rede traz peixes
Sua renda adorna
Bustos, mesas, janelas
Casas e seres

A remendeira encaixa

Fatos, fracos, frascos,
 Peças, ordenação fractal
Patchwork de seres
Vidas recomeçadas.

Não há colcha que a cubra.

(Re)nasce

Recebo-te
Com a promessa
De flores em um ano

Solo sob meus pés
Adubo, água, sol
Espúrio é o ar
Que respiras

Redoma
Bunker
Vestes inservíveis
Raízes criadas
Retomo outras gemas.

Ruídos

... E todo inferno urbano
é apreciado painel em dois tons!


Folhas se agitam
Cintilam raios de sol
No chão 
Seu ruído
Suave ao fundo

O arranjo compete
Com a desafinada voz
No veículo
Na rua
Descarga poluente
Música subpopular brasileira.

Tempo 2/2


Me dá um abraço?

Quantos e por quanto tempo quiser.

:)

Gosto dos infinitos...

:)  Também... Infinitos podem durar um segundo, mas são únicos e infinitos.

Exatamente. Mas os meus são infinitos, quentes e duradouros
...  e não sei se conseguiria fazer isso depois de lhe encontrar.

Por quê?

Não sei... acho que me congelaria... e não conseguiria olhar.

Sim, eu também ficaria assim mas apenas por um infinito breve.



Circunstâncias



Mergulhei-me em preto


Mas não é luto

 
Apenas mimetismo.


Foto by Cecília Paredes

Fatigant


Onde encontro os olhos?
A espreitar as ondas
E seu infinito caminho
Subtraídos do mundo, espectador?


Âmago intocado
Carcaça fria
Vãos, vãos?
... João-de-barro encerrou a porta
Deixou-se dentro.


Vagar nos pensamentos
Buscar portas para entrar
Janelas para ver
E ser vista
Tarefa interminável de marés
... Somente marés.



Boleros de Nana... ótimos momentos!

Silêncio

As palavras se afogaram.
Todas  elas.
Junto delas
Uma música
Flor
Cintilâncias
Diurnas
Noturnas
Um deus
Uma besta.

Mar tragante
Obscuro fundo
De lama, apodrecidos
Palavras foram ao fundo
Antes, da alma
Agora, entre restos.